terça-feira, 17 de março de 2009

A palavra felicidade aplica-se a um estado do ser humano que pode ser designado como emoção ou sentimento e, por ser um conceito, não usufrui de uma existência própria, fora daquele ou daquela que o sente ou vive. O seu carácter abstracto, indefinido e subjectivo faz dele alvo de variadas interpretações, especulações e teorizações. A quem servem e para que servem?Tudo o que pertence ao âmago dos humanos, fazendo parte de um mundo não visível, não palpável e não comensurável, tem sido motivo de grande interesse para estudiosos da psique, filósofos e artistas. E não só! Até os menos dotados se aplicam numa busca constante de tentar explicar o inexplicável: essa é mesmo uma das características dos humanos. Por um lado, empenham-se em provar a sua superioridade e sabedoria; por outro lado, é o prazer desmedido que sentem em chegar a conclusões ou teorias ainda não exploradas por outros (pelo menos que eles o saibam!). É assim que alimentam essa fome de competição e de proeminência que os consome.Do que se esquecem é que, no tocante a conceitos tais como a Felicidade, esse sucesso almejado, uma vez atingido, será passageiro e ilusório, tal como o conceito em si.Assim como o momento feliz que se vive hoje, nunca se repetirá da mesma forma, em intensidade ou qualidade, assim também a definição ou explicação que lhe dermos porque ficará ultrapassada por muitas outras e porque nunca chegará a captar a verdadeira essência do que se pretende definir ou explicar.Nalguns dos idiomas (sendo o nosso um deles) há a possibilidade de se estabelecer uma diferença entre dois estados de felicidade – um mais permanente e outro mais transitório – pelo emprego dos verbos que escolhemos na altura. Ser ou Estar feliz não designa exactamente o mesmo, delimitando sentires diversos. Contudo, não serão os verbos que resolverão a problemática implícita neste conceito tão ilusório.Nem na infância, a felicidade se mostra num estado de permanência. A diferença é que, nesse período de vida, não há ainda a capacidade e suficiente conhecimento para verbalizar a sua presença ou a sua ausência. No entanto, as manifestações físicas e emocionais, que geralmente acompanham tal estado, estão presentes em qualquer idade.Na ausência da felicidade é que nos apercebemos do seu verdadeiro significado; muitas das vezes, no momento em que a vivemos ou sentimos, não nos damos conta de que a albergamos em nós.

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